Suzana Mendes

Fine Art Photography

Jardim Secreto

Em tempos de mídias sociais e relações virtuais, o momento se faz fugaz. Não importa tanto aproveitá-lo, mas registrá-lo e colocá-lo em evidência na nuvem de um mundo paralelo.
Antes, reduzidos aos átomos das moléculas, hoje somos reduzidos ao pixel da imagem. Vive-se de likes em relações que se dão via wireless e ao toque das telas.
Temos a falsa sensação de estarmos capturando o mundo em que vivemos, reduzindo-o a algoritmos e compactando-o em nuvens de informações que nos servem de oxigênio quando, na verdade, cada vez que fotografamos algo nos afastamos ainda mais do objeto, assim como nos afastamos da concepção de humanos, quanto mais virtuais nos fazemos em relação ao outro.
Assim como uma imagem que não precisa estar finalizada para ser interpretada (e depois descartada para uma nova), podemos estar no ponto em que o contato humano está tão condensado que se reduz a fórmulas?
Jardim Secreto explora a relação da imagem digital com o nosso dia a dia. O fetiche e a necessidade de capturar tudo e nada ao mesmo tempo, guardando memórias em nuvens que talvez nunca sejam acessadas pelo excesso de informações que contém. A eterna busca pela melhor imagem, em uma ansiedade que não permite a constatação do agora.
Olhar de perto ou de longe: escolha a sua postura frente àquilo que quer realmente enxergar.

In times of social media and virtual relationships, the moment is fleeting. It does not matter so much to seizing it but capture it and put it in evidence in the cloud of the virtual world.
We used to be reduced to atoms of a molecule but today we are reduced to pixel of an image. Living for likes in a relationship that happens wirelessly and through the touch of screens.
We have the false sense of being capturing the world we live in, reducing it to algorithms and compressing it into clouds of information that serve as oxygen when, in fact, every time we photograph something we move further away from the object; in the same way, we move away from the conception of humans, the more virtual we become between each other.
As an imagem that does not have to be finished to be interpreted (and then discarted for a new one), may we be a point where the human contact is so condenssed that became reduced to formulas?
Secret Garden explores the relationship of the digital image with our everyday life. The fetish and the need to capture everything and nothing at the same time, storing memories in clouds that may never be accessed by the excess information it contains. The eternal search for the best image, in an anxiety that does not allow us to live the moment.
Look closely or from a distance: choose your point of view in front of what you really want to see.